“Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária, parece estar fugindo.” (T. S. Eliot)

ESTE NÃO É O SITE ATIVO E OFICIAL DA ESTAÇÃO ABC DO MOVIMENTO CAMINHO DA GRAÇA QUE TEM COMO MENTOR NACIONAL O SR. CAIO FÁBIO D'ARAÚJO, PARA TANTO ACESSE: http://caminhosantoandre.blogspot.com/ ou caminhosantoandre@gmail.com

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sou injusto!


Como somos injustos!

A começar por esta acusação de que todos são injustos (nem conheço “todos”), isto já cria um bloqueio ao leitor na primeira linha do texto. Corrigirei: Como SOU injusto!

Darei foco somente a um tema: EXPECTATIVAS.

Utilizo critérios e réguas diferentes ao permitir a construção de expectativas.
Para tudo que é relacionado a mim, em circunstâncias de flagrante de terceiros digo que sou umano e pode errar; mas quando diz respeito a outras pessoas, eu nunca perdoaria alguém escrever humano sem “h” e conjugar o verbo poder em outra pessoa que não fosse a primeira do singular: sou humano e posso errar! (Qual foi o seu pensamento quando você leu a linha acima com os erros?).

É, normalmente, existe outro critério de expectativa quando se diz respeito aos outros, acabo exigindo mais das pessoas do que de mim mesmo, as expectativas são mais complacentes quando dizem respeito a mim, mas acabo por me frustrar por demais com as pessoas e circunstâncias ao esquecer que em tudo há o fator X, o fator imponderável, o fator da reação não catalogada em nossa lista de possibilidades e é quando surgem sentimentos e emoções que não constavam em nosso vocabulário e glossário de percepções, esta é a surpresa!

Isto ocorre também quando eu me flagro em ações, reações, estímulos e hábitos que me prometi nunca fazer ou nunca mais fazer, via de regra possuem as mesmos tons de cores das ações dos outros que eu mais critico (isto por uma questão da nossa estrutura emocional que acusa nos outros o que há de ser acusado em nós mesmos), o meu flagrante vira um flagelo criado sob a minha própria frustração sobre mim mesmo, “sob” porque sobrevive abaixo, meio escondido pelas máscaras de que tudo vai bem.

Como sou injusto!
Como sou incoerentemente e paradoxalmente justo e injusto ao mesmo tempo, dependendo da circunstância e de quem se trata.

Vontade de esquadrinhar meus pensamentos e sentimentos e colocar em um plano cartesiano tudo o que ocorre, como causa e efeito, como proporcionalidade direta, pura matemática onde todas as variáveis são conhecidas, assim ficaria mais fácil entender motivos, ao entender os motivos saberemos o “porquê” das ações, reações, estímulos, respostas, sentimentos, percepções; pelo menos há um material físico e objetivo a ser analisado, nem que seja uma equação!

Talvez haja caminhos mais seguros, “Os navios estão a salvo nos portos, mas não foi para ficar ancorados que eles foram criados”, talvez tais caminhos não foram feitos para nós ou não foram feitos para descansar, “Ainda que você esteja no caminho certo, você pode ser atropelado se apenas permanecer parado nele”, talvez descansar não seja tão somente chegar e estagnar, “O analfabeto do século XXI não será aquele que não conseguir ler ou escrever, mas aquele que não puder aprender, desaprender e, por fim, aprender de novo”.

Aprendi a não esperar de ajuntamentos que propagam verdades transcendentais e mensagens ligadas a fé, ELE é o que É, nós não passamos de pó, nossa origem e destino, o que passar disto é vaidade! O simples fato de acusar, julgar ou disciplinar alguém que é tão pó quanto eu, é sinal claro e objetivo de minha cega visão e louca percepção de superioridade, ainda mais quando os julgamentos são movidos por paixões históricas e pessoais.

Aprendi a não esperar de pessoas, pelo simples fato delas serem pó, tanto quanto eu, e pelo simples fato de eu conhecer um pouco do que sou capaz, e como todos somos pó, extrapolo e conheço um pouco do que todos nós somos capazes, não me assusto com ninguém, somente comigo, e sei que não devo esperar nada de ninguém pelo simples fato de não esperar nada mim.

Aprendi a não esperar DE Deus, pois os caminhos Dele são mais altos do que os meus, e os pensamentos Dele eu nem consigo alcançar; aprendi a esperar NELE sem escolher o “meu prato de benção” no menu a La carte da religiosidade que determina o que o Eterno é obrigado a fazer, sabendo que tenho colhido o que tenho plantado em um curso natural de minha existência na causa e efeito, tenho recebido o que não mereço em um ciclo de Graça, não tenho recebido o que mereço em um ciclo de misericórdia, mas todo bem provêm Dele.

Isto é religião? Não
Isto é dogma? Não
Isto é igreja? Não
Isto é fanatismo? Não
Isto é algum movimento? Não
Isto é alguma defesa teológica? Não
Isto é o quê?
Isto é um blog com um texto que você está lendo, só!

Espero que você... Ah, quer saber? Não espero nada!
E você? Saiba o que esperar, somente isto!
Que ELE, o tão esperado entre as Nações, seja contigo...


Contraditoriamente;

Dinho

2 comentários:

  1. Que saudades!

    O quanto este site norteou e ofereceu respostas aos meus dias.
    Já sonhamos juntos. Já choramos juntos. Muitos se perderam no caminho e No Caminho.
    Era uma Estação diferente, não dependíamos de um papa, de assistir filmes, de ficar citando o que Paulo, Apollo, Caio, Brega disse, estudávamos nós mesmos o que as Boas Novas falavam, sem pedir dinheiro para sonho dos outros, sem ficar ligado a uma estrutura eclesiástica, era um Farol, uma cabana, um caminhar mesmo, as imagens do site retratam bem o que sempre falávamos, que saudades, escorreram lágrimas ao ler o texto.

    Eu também aprendi a não esperar, você nos ensinou isto ao ensinar o que Jesus ensinou sobre não sermos nada e sermos aceitos mesmo assim.
    Tudo ficou pesado, jogos de poder, de vaidade, divisão, visões no meio da noite, os que se dividiram voltarem a se dividir, de repente do riso se fez pranto...
    Quem sabe um dia não voltaremos a viver este sonho de juntar pessoas conscientes de que são imperfeitas e que são pó, como você escreveu: pó - origem e destino.

    Família Lima

    ResponderExcluir
  2. Não estou enaltecendo homem algum, deixei minhas expectativas e sua conseqüente idolatria de pessoas (do pó quanto eu) há muito.
    Mas que bom ser confrontado pelo motivo de minha frustração, sabe que de tão óbvio eu acabo esquecendo disto!? Lembro de uma prosa (como você mesmo dizia) em um dos encontros em que você disse sobre Conhecimento, Habilidade e Atitude (CHA), utilizei isto na Instituição em que atuo profissionalmente, Conhecer é só saber tal como ler um livro que ensina a andar de bicicleta, o que não significa que você aprendeu a andar. Habilidade é aprender de fato, empiricamente, a andar. Atitude é ser um ciclista contumaz, é andar periodicamente.
    O óbvio nós conhecemos, nós temos habilidade, mas nós não praticamos. E sobre isto que estou abordando, ler esses textos é despertar para o óbvio que não alcançou minhas atitudes e sem acusar ninguém, sem falar mal de outras religiões, mas por meio de uma egotrip do Dinho.
    Escreva mais e marque um encontro presencial, sem religiosidade, sem compromisso, sem placas, sem rótulos, sem citar pessoas de DF ou de SP, somente o nosso Mestre.

    Estou nessa!

    Meirelles
    meirelles.estatutario@hotmail.com

    ResponderExcluir