quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Eventos do fim-de-semana
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Religião e cidadania

Ed René Kivitz
Igreja não vota. Igreja não faz aliança política. Igreja não apoia candidato. Igreja não se envolve com política partidária. Há pelo menos cinco razões para este posicionamento.
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça.
Comparecer às urnas é um ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.
Fonte: Pavablog
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
Movimentos da Estação ABC
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Grupo de Estudo em São Bernardo
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Não escandalize os meninos do Heavy Metal...
Há alguns anos, estive no Tribal Generation, um fórum que reúne os que dedicam-se a buscar com a mensagem e o testemunho do evangelho, o pessoal da geração chamada emergente.
Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.
Pois foi aí, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.
Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido. Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.
Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...
Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.
No momento, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram... "e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"
Taí... Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.
Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.
Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.
Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.
Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.
Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.
Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?
Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.
Nada mais radical e maluco!
Rubinho Pirola, via Púlpito Cristão
Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.
Pois foi aí, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.
Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido. Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.
Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...
Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.
No momento, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram... "e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"
Taí... Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.
Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.
Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.
Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.
Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.
Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.
Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?
Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.
Nada mais radical e maluco!
Rubinho Pirola, via Púlpito Cristão
sábado, 12 de junho de 2010
Hologramas Espirituais
No último domingo, a palavra que o Pr. Luiz nos trouxe no início de nosso encontro, alertou-me de quanto as pessoas tem perdido a confiança entre si em seus relacionamentos. Em nossa sociedade, as pessoas relacionam-se com a imagem que projetam de si mesmas aos outros. Como não são sinceras sobre si com os outros, sabem que os outros também não se apresentam como são. Daí a crise de confiança.
Já viu imagem conversando com imagem? Eu não. Talvez só um holograma com outro e ainda em filme de ficção ou algum experimento científico. Relacionamento só existe entre gente. Gente com sentimentos, opiniões, experiências únicas que nos fazem ser quem somos.
Essa afetação pela imagem nos leva muitas vezes a querer que nosso relacionamento com Deus se dê com base na imagem que fazemos d’Ele pra nós mesmos e naquilo que projetamos de nós para esse “deus”. E um relacionamento nesses termos só tem um meio de se estabelecer: através da magia -que é definida como a ciência e arte em que se pretende empregar conscientemente poderes invisíveis para obter efeitos visíveis atribuídos à intervenção dos espíritos, bem como o conjunto de práticas ocultas, por meio das quais (sobretudo nas sociedades primitivas) se pretende atuar sobre a natureza.
Magicamente pensamos que se adotarmos determinadas posturas e códigos de honra aceitos pela moral vigente (poderes invisíveis), obteremos a resposta que desejamos desse “deus”. E se este não nos der o seu favor, propomos uma atitude exterior de devoção extrema com oferendas à esse “deus” ou às organizações que o representam, de preferência respaldado em algum tipo de interpretação de algum escrito sacralizado pelo homem.
Não é desse deus que temos buscado a face. Temos buscado a face de Um que se encarnou, viveu entre nós, padeceu o que todos nós padecemos. Que operou o sobrenatural como sinal para uma geração incrédula e que vem operando dentro e fora dos limites naturais sem que oferenda alguma se faça à Ele, mas as realiza por amor. Um que se identificou com nossas limitações e inclinações humanas. Que foi tentado como o somos todos os dias e sabe o poder de sedução de uma tentação para nós. De Um que se alegra conosco, e chora conosco também. De Um que não é atraído pelo que lhe ofertamos, mas já é atraído pelo que somos (sua criação) ainda que nossas atitudes supostamente possam decepcioná-lo. De Um que conhece nossa estrutura e sabe que somos pó, carentes de misericórdia e graça de Sua parte. De Um que nos amasse a ponto de, ao inverso do intento da magia, ter sacrificado algo precioso aos Seus olhos, para resgatar aquilo que amou e veio a se corromper.
Se sua procura é de um Deus de verdade, que não se deixa aprisionar pelas convenções humanas, antes é um ser livre e amoroso, convido a juntar-se a nós no caminho que Ele mesmo propõe para cada um que O busca. O caminho da Verdade e da Vida. O exercício de sermos confrontados com nós mesmos e de nos discernirmos ao mesmo tempo que o desconforto por nos descobrirmos tão frágeis e inconsistentes é remido pela fé na Graça e Misericórdia d´Ele. O aprofundamento de Seu amor, quando afirma fazer morada em nós, sem rituais, sem possessões, sem inconsciências, fazendo-nos ser Sua presença no meio de uma sociedade que adora o engano das imagens. Quando nos deixamos ser levados por Ele, a confiança nos relacionamentos se restabelece em nossas vidas pois já não vivemos nós, mas Ele vive em nós.
Já viu imagem conversando com imagem? Eu não. Talvez só um holograma com outro e ainda em filme de ficção ou algum experimento científico. Relacionamento só existe entre gente. Gente com sentimentos, opiniões, experiências únicas que nos fazem ser quem somos.
Essa afetação pela imagem nos leva muitas vezes a querer que nosso relacionamento com Deus se dê com base na imagem que fazemos d’Ele pra nós mesmos e naquilo que projetamos de nós para esse “deus”. E um relacionamento nesses termos só tem um meio de se estabelecer: através da magia -que é definida como a ciência e arte em que se pretende empregar conscientemente poderes invisíveis para obter efeitos visíveis atribuídos à intervenção dos espíritos, bem como o conjunto de práticas ocultas, por meio das quais (sobretudo nas sociedades primitivas) se pretende atuar sobre a natureza.
Magicamente pensamos que se adotarmos determinadas posturas e códigos de honra aceitos pela moral vigente (poderes invisíveis), obteremos a resposta que desejamos desse “deus”. E se este não nos der o seu favor, propomos uma atitude exterior de devoção extrema com oferendas à esse “deus” ou às organizações que o representam, de preferência respaldado em algum tipo de interpretação de algum escrito sacralizado pelo homem.
Não é desse deus que temos buscado a face. Temos buscado a face de Um que se encarnou, viveu entre nós, padeceu o que todos nós padecemos. Que operou o sobrenatural como sinal para uma geração incrédula e que vem operando dentro e fora dos limites naturais sem que oferenda alguma se faça à Ele, mas as realiza por amor. Um que se identificou com nossas limitações e inclinações humanas. Que foi tentado como o somos todos os dias e sabe o poder de sedução de uma tentação para nós. De Um que se alegra conosco, e chora conosco também. De Um que não é atraído pelo que lhe ofertamos, mas já é atraído pelo que somos (sua criação) ainda que nossas atitudes supostamente possam decepcioná-lo. De Um que conhece nossa estrutura e sabe que somos pó, carentes de misericórdia e graça de Sua parte. De Um que nos amasse a ponto de, ao inverso do intento da magia, ter sacrificado algo precioso aos Seus olhos, para resgatar aquilo que amou e veio a se corromper.
Se sua procura é de um Deus de verdade, que não se deixa aprisionar pelas convenções humanas, antes é um ser livre e amoroso, convido a juntar-se a nós no caminho que Ele mesmo propõe para cada um que O busca. O caminho da Verdade e da Vida. O exercício de sermos confrontados com nós mesmos e de nos discernirmos ao mesmo tempo que o desconforto por nos descobrirmos tão frágeis e inconsistentes é remido pela fé na Graça e Misericórdia d´Ele. O aprofundamento de Seu amor, quando afirma fazer morada em nós, sem rituais, sem possessões, sem inconsciências, fazendo-nos ser Sua presença no meio de uma sociedade que adora o engano das imagens. Quando nos deixamos ser levados por Ele, a confiança nos relacionamentos se restabelece em nossas vidas pois já não vivemos nós, mas Ele vive em nós.
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
O crente e a zona
- E vocês? Quem pensam que Eu sou? - perguntou o Mestre a seus íntimos.
A sociedade a sua volta se dividia em suas opiniões, falavam em antigas profecias, talvez profeta, talvez a ressurreição de um homem santo qualquer. Mas para o Mestre, o que interessava era a opinião de seus íntimos, daqueles que viviam com Ele.
Ontem, ouvi uma história interessante:
Um crente, daqueles de terno e gravata, em dia quente, bíblia surrada debaixo do braço, sujeito sincero em sua fé, temente a Deus, buscando cumprir a risca sua cartilha. Sempre na busca de não dar um mau testemunho, de não fazer tropeçar os que, por exemplo, tem sua vida reta como referencial de cristão.
O percurso de sua casa até a igreja passava por um prostíbulo, também conhecida como zona. Se tem uma coisa que este crente não pode ser acusado era ser fraco nesta área. Jamais cedeu ao apelo sexual das meninas que expunham seus corpos para a prostituição de sua forma mais tradicional. Tão firme era ele que, um dia, duas prostitutas o cercaram. Queriam a todo custo se aproximar do crente.
Elas, não tão novas, estavam cobertas de maquiagem e um forte perfume. No interesse de detê-lo em seu caminho, tentaram até pegá-lo pelo braço, mas ele se esquivou. Faltou pouco para que ele voltasse de sua fuga, e com o dedo em riste, repreender aquela tentativa – desagradável, inapropriada, não condizente, inoportuna. Mas ainda era sábado: Havia um domingo pela frente. O culto daquele sábado trouxe um crente orgulhoso em sua postura correta.
O de domingo traria outra história.
Na ida do culto, o velho meretrício já estava em pleno funcionamento. O crente, como sempre, fez seu trajeto obrigatório, mas agora só uma das prostitutas do dia anterior estava ali.
Vestida com o mesmo shorts curtíssimo, chorava sentada a calçada, o que chamou a atenção daquele cidadão tão devoto:
- O que acontece? Por que chora tanto?
- Minha amiga... - falou a quenga, só então olhando no rosto de quem a questionava.
Os olhos inchados e vermelhos não iam ajudar a ter muitos clientes naquela noite. Após uma breve pausa, questionou:
- Não foi você que passou por aqui ontem?
- Sim... - recuou ele.
- Minha amiga estava desesperada, ela queria sair desta vida. Nessa vida de prostituta, só crente não põe o pé. Ela acreditava que os crentes poderiam ter a resposta... O homem ouvia aquilo e um sentimento de vergonha e orgulho se confundiam.
- Onde está ela? - perguntou ele, se preparando para dar as respostas necessárias.
- Ela se matou...
Infelizmente, esta é uma história verídica.
A preocupação de ter um bom conceito entre os irmãos de nossa respeitável comunidade fez com que eles esquecessem o porque de toda esta santidade: viver em prol destas prostitutas, drogados, gente má sem Jesus. Aos que estão com o Mestre, cabe a consciência que também é o mesmo tipo de gente ruim, mas que deixou que cometer certos pecados mais óbvios.
O Cristo se contenta com a opinião de quem realmente lhe conhece: “Eis meu Filho amado, em quem me comprazo”. O desafio satânico no deserto não mexeu com os brios do Filho.
Para Pedro, saber que era a pedra que fazia parte de uma edificação eterna foi suficiente. Para Tomé, um Mestre que reconhece suas limitações céticas e não o rejeita, é o que interessa.
O sincero crente fez o que lhe mandaram, mas note o quanto sua cartilha está distante do discipulado do Mestre.
Enquanto o Filho ensinava a abraçar a ralé, o discípulo os abomina, como se o Mestre pudesse ser ignorado nos pontos mais difíceis de seu ensinamento.
Aceitar a Jesus como seu Salvador é fácil. Duro é aceitá-lo como seu Senhor, seu dono. A partir daí, o que interessa é a opinião Dele. O que os irmãos vão pensar? O que pode acontecer se você for mau interpretado? Afinal: a opinião de Jesus é a que vale ou não?
Zé Luís , O Cristão Confuso
A sociedade a sua volta se dividia em suas opiniões, falavam em antigas profecias, talvez profeta, talvez a ressurreição de um homem santo qualquer. Mas para o Mestre, o que interessava era a opinião de seus íntimos, daqueles que viviam com Ele.
Ontem, ouvi uma história interessante:
Um crente, daqueles de terno e gravata, em dia quente, bíblia surrada debaixo do braço, sujeito sincero em sua fé, temente a Deus, buscando cumprir a risca sua cartilha. Sempre na busca de não dar um mau testemunho, de não fazer tropeçar os que, por exemplo, tem sua vida reta como referencial de cristão.
O percurso de sua casa até a igreja passava por um prostíbulo, também conhecida como zona. Se tem uma coisa que este crente não pode ser acusado era ser fraco nesta área. Jamais cedeu ao apelo sexual das meninas que expunham seus corpos para a prostituição de sua forma mais tradicional. Tão firme era ele que, um dia, duas prostitutas o cercaram. Queriam a todo custo se aproximar do crente.
Elas, não tão novas, estavam cobertas de maquiagem e um forte perfume. No interesse de detê-lo em seu caminho, tentaram até pegá-lo pelo braço, mas ele se esquivou. Faltou pouco para que ele voltasse de sua fuga, e com o dedo em riste, repreender aquela tentativa – desagradável, inapropriada, não condizente, inoportuna. Mas ainda era sábado: Havia um domingo pela frente. O culto daquele sábado trouxe um crente orgulhoso em sua postura correta.
O de domingo traria outra história.
Na ida do culto, o velho meretrício já estava em pleno funcionamento. O crente, como sempre, fez seu trajeto obrigatório, mas agora só uma das prostitutas do dia anterior estava ali.
Vestida com o mesmo shorts curtíssimo, chorava sentada a calçada, o que chamou a atenção daquele cidadão tão devoto:
- O que acontece? Por que chora tanto?
- Minha amiga... - falou a quenga, só então olhando no rosto de quem a questionava.
Os olhos inchados e vermelhos não iam ajudar a ter muitos clientes naquela noite. Após uma breve pausa, questionou:
- Não foi você que passou por aqui ontem?
- Sim... - recuou ele.
- Minha amiga estava desesperada, ela queria sair desta vida. Nessa vida de prostituta, só crente não põe o pé. Ela acreditava que os crentes poderiam ter a resposta... O homem ouvia aquilo e um sentimento de vergonha e orgulho se confundiam.
- Onde está ela? - perguntou ele, se preparando para dar as respostas necessárias.
- Ela se matou...
Infelizmente, esta é uma história verídica.
A preocupação de ter um bom conceito entre os irmãos de nossa respeitável comunidade fez com que eles esquecessem o porque de toda esta santidade: viver em prol destas prostitutas, drogados, gente má sem Jesus. Aos que estão com o Mestre, cabe a consciência que também é o mesmo tipo de gente ruim, mas que deixou que cometer certos pecados mais óbvios.
O Cristo se contenta com a opinião de quem realmente lhe conhece: “Eis meu Filho amado, em quem me comprazo”. O desafio satânico no deserto não mexeu com os brios do Filho.
Para Pedro, saber que era a pedra que fazia parte de uma edificação eterna foi suficiente. Para Tomé, um Mestre que reconhece suas limitações céticas e não o rejeita, é o que interessa.
O sincero crente fez o que lhe mandaram, mas note o quanto sua cartilha está distante do discipulado do Mestre.
Enquanto o Filho ensinava a abraçar a ralé, o discípulo os abomina, como se o Mestre pudesse ser ignorado nos pontos mais difíceis de seu ensinamento.
Aceitar a Jesus como seu Salvador é fácil. Duro é aceitá-lo como seu Senhor, seu dono. A partir daí, o que interessa é a opinião Dele. O que os irmãos vão pensar? O que pode acontecer se você for mau interpretado? Afinal: a opinião de Jesus é a que vale ou não?
Zé Luís , O Cristão Confuso
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